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há 2 dias por Regina Pitoscia

A alta da inflação em novembro e os estragos no bolso

A inflação oficial de novembro, calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu de 0,10%, em outubro, para 0,51%, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O cálculo do IPCA leva em conta a variação de preços de produtos de uma cesta de consumo de famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas do País, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

A variação acumulada pelo IPCA em 11 meses do ano está em 3,12% e nos últimos 12 meses, em 3,27%. Faltando apenas um mês para o fim de 2019, ambos rodam com folga abaixo da meta inflacionária de 4,25% do ano, que o Banco Central mira ao calibrar a taxa básica de juros, Selic, mas o que surpreendeu foi o ímpeto da alta da inflação de um mês para o outro.

A vilã foi a escalada do preço da carne bovina, puxado pela forte demanda desse produto pela China, em meio a problemas sanitários na produção de proteína animal no país asiático por causa da peste suína africana.

A carne bovina, que subiu 8,09% em novembro, foi o principal fator de pressão sobre o IPCA – ainda assim, uma alta média, porque os preços variam de acordo com cada região do País.

O consumidor doméstico paga mais pela carne porque o aumento de compras pela China valoriza o produto internamente e também pela redução de oferta no mercado doméstico, por causa da venda de volumes maiores ao exterior.

Embora a inflação de novembro tenha sido puxada por um fator pontual, o espichão no preço da carne, os sistemáticos repiques de preços no setor de alimentos têm empurrado a conta mais pesada da carestia para as famílias de renda mais baixa.

É o que aponta um índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Preços ao Consumidor – Classe I (IPC-CI), segundo o qual carnes e energia elétrica mais caras levaram a inflação das famílias de baixa renda, com ganhos de até 2,5 salários mínimos, ao maior nível em sete meses.

Inflação em alta, muito além do padrão de baixa com que a economia passou a conviver mais recentemente – ainda que considerada temporal ou episódica -, corrói o poder de compra do consumidor, em uma época que são raros os trabalhadores que obtêm reajuste real para o salário.

Quem também amarga perdas com soluços da inflação, pela desvalorização do dinheiro que não consegue sequer a reposição da correção monetária, são as aplicações de renda fixa, remuneradas por taxas de juro referenciadas na Selic, de 5% ao ano, no momento.

A caderneta de poupança, que rende mensalmente 70% dessa taxa, equivalente a 0,28% ao mês em novembro, é uma das que foram atropeladas pela inflação de 0,51%. Títulos e fundos de investimento de renda fixa, com rendimentos quase emparelhados com os da poupança, também perderam da inflação.

Especialistas em acompanhamento de preços não arriscam palpite sobre até quando poderá perdurar a pressão de alta da carne sobre a inflação. Para alguns integrantes da equipe de governo, o preço dessa proteína animal mudou de patamar, após anos em patamares mais baixos.

A dica é que o consumidor substitua, em seu cardápio, a carne vermelha por outras com preços mais em conta, como a de frango, embora a alta de um produto costume se espraiar rapidamente para os demais, à medida que a demanda por essas opções cresça. Lembram ainda que os ovos estão com preços bastante atraentes, muitas vezes promocionais.

 

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