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há 2 dias por Regina Pitoscia

As muitas razões para não se endividar no cheque especial

O cheque especial é uma modalidade de crédito cujo custo se mantém indiferente à queda do juro básico da economia. A Selic já despencou de 14,25% para 6% ao ano em quatro anos, e com perspectiva de que recue  ainda mais nesta quarta-feira, quando termina a reunião de diretores do Banco Central, mas as taxas do cheque especial insistem em permanecer entre 11% e 14% ao mês.

É a linha de crédito mais cara do mercado, superando até mesmo o rotativo do cartão de crédito, mas nem por isso o brasileiro deixa de usá-la. Ao contrário, por ser um dinheiro extra disponível e acoplado à conta corrente, de fácil acesso e liberado sem nenhuma burocracia ao cliente, o limite do cheque especial é acionado com muita frequência. E, por causa  dos juros altos, a dívida cresce rapidamente, trazendo dificuldades para seu pagamento e levando à inadimplência.

Na última semana de agosto, a taxa cobrada pela Caixa estava em 9,43% ao mês ou 195% ao ano; pelo Bradesco, em 11,92% ao mês ou 286% ao ano; pelo Banco do Brasil, em 12,18% ao mês ou 297% ao ano; pelo Itaú em 12,42% ao mês ou 307% ao ano, e no Santander, o campeão dos juros altos do cheque especial, em 14,79% ao mês ou 418% ao ano.

Uma dívida que cresce entre 12% e 14%, enquanto a renda do endividado aumenta quando muito pela inflação, que está próxima de zero e é aplicada apenas uma vez no ano, na data-base de cada categoria, torna-se um problema financeiro para qualquer bolso. O uso de R$ 3 mil no Santander, por exemplo, gerar um acréscimo de R$ 443,70 só de juros de um mês para o outro.

Não é de hoje que o Banco Central está de olho nesses juros escorchantes. No ano passado, o BC permitiu que os próprios bancos apresentassem uma solução para evitar o endividamento contínuo no cheque especial. Em nenhum momento se falou em reduzir os juros, mas em oferecer um novo tipo de crédito para parcelamento do saldo devedor.

Embora com juros mais baixos, a nova modalidade tende a comprometer o orçamento do usuário por meses a fio. Além disso, ficou acertado que o banco precisa enviar avisos aos clientes no vermelho sobre a possibilidade de renegociação.

Parece que as iniciativas não foram suficientes, porque a atual presidência do BC se mostra insatisfeita com a permanência desses juros nas alturas, e admitiu estudos de novas mudanças para as linhas de crédito emergenciais como o cheque especial e o rotativo do cartão.

A recomendação continua a mesma de sempre em relação a esse crédito: usar por períodos muito curtos de tempo. Se há previsão de sufoco financeiro, o mais indicado é recorrer a outras linhas de crédito e evitar ficar devendo no cheque especial.

Uso frequente

Levantamento recente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção do Crédito (SPC Brasil) mostrou que 40% dos entrevistados que usaram o cheque especial no último ano têm o hábito de avançar sobre o limite todos os meses. Número que sobe para 48% quando a amostra é formada por pessoas de renda mais baixa. Outros 30% recorrem ao limite a cada dois ou três meses e 27% pelo menos três vezes ao ano.

Por causa dos juros altos que podem ultrapassar a casa de 400% ao ano, o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, alerta que “é um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda de cada mês”. Ele explica que “essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento permite e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve difícil de ser paga”.

O educador também chama a atenção para outra condição relevante: 68% dos entrevistados não solicitaram essa linha de crédito ao banco. Ela foi obtida de forma automática na abertura da conta corrente. Apenas 24% fizeram o pedido formal para ter o limite extra de crédito. No entanto, é importante saber que não há nenhuma obrigação do cliente em aceitar o cheque especial; quando concedido de forma automática é possível solicitar seu cancelamento.

O estudo revela ainda que os motivos que levam à busca desse saldo extra combina, em geral, um misto de falta de controle das finanças com o surgimento de eventos inesperados: 25% dos que responderam às questões indicaram doenças e compra de medicamentos com esse dinheiro, enquanto parcela idêntica de 25% admite ser descontrole do orçamento. Já 23% afirmaram ter apelado para esse dinheiro para pagamento de contas e 18% porque foram pegas de surpresa com manutenção de automóvel ou moto.

O uso imprudente do cheque especial é constatado pela falta de conhecimento do custo desse crédito: 38% dos entrevistados não analisaram os juros e as tarifas cobradas pelo banco; 25% nem perceberam que entraram no limite. Número alto de usuários, 43%,   desconhece o valor dos juros e taxas cobrados e 34% acabaram com o nome sujo por não conseguir liquidar esse compromisso.

E nem todo mundo toma a iniciativa de procurar linhas de crédito mais baratas para pagar seus compromissos ou liquidar o saldo devedor do próprio cheque especial. Apenas 33% dos entrevistados buscaram outras opções de empréstimo antes de entrar no limite extra da conta.

Assim como no caso do cheque especial, o uso do empréstimo deve ser feito com cautela, afirma Vignoli. “Contratar um empréstimo pode ser a decisão certa quando o consumidor tem planos de longo prazo e está preparado para assumir um compromisso financeiro por vários meses sem desequilibrar o orçamento.” No entanto, ele recomenda que antes de buscar um empréstimo, o mais indicado é tentar uma renda extra ou diminuir ao máximo as despesas mensais, cortando gastos supérfluos.

 

 

 

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