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há 2 dias por Regina Pitoscia

Brasileiro termina o ano endividado

Muitos brasileiros terminaram 2017 endividados e sem conseguir pagar todas suas contas. Ao mesmo tempo, estão mais otimistas em relação à economia e têm como principal objetivo reduzir despesas para juntar dinheiro este ano. Esse é o cenário estampado em duas pesquisas feitas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em conjunto com a Confederação Nacional de dirigentes Lojistas.

No atoleiro

Pelos dados do Indicador de Propensão ao Consumo, quatro em cada dez brasileiros (38%) afirmaram chegar ao final de 2017 no vermelho, enquanto 45% dizem estar no limite do orçamento, e somente 13% admitiram estar com sobra de dinheiro.

Segundo estimativas do SPC Brasil, cerca de 59,9 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado no País. Entre eles 81% possuem parcelas em atraso no cartão de crédito, 69% estão com dívidas vencidas no cartão de lojas, e 67% com parcelas pendentes em carnês ou boletos. E as contas que estão há mais tempo sem pagar estão as faturas do cartão de crédito, perto de 9 meses, em média.

Para 55% dos entrevistados a situação econômica em 2017 foi pior do que no ano anterior, e 85% disseram ter feito cortes no orçamento para equilibrar as finanças. Isso principalmente nas refeições fora de casa, compra de itens de vestuário, calçados e acessórios e itens supérfluos no supermercado.

Entre as principais razões para as dificuldades, eles citaram a alta de preços sem a mesma evolução na renda, o desemprego e o endividamento. Uma parcela de 20% afirma que as condições financeiras melhoraram por ter conseguido organizar o orçamento, porque mais pessoas da casa estão trabalhando e porque os negócios prosperaram.

Dinheiro extra

A economista-chefe do SPC Brasil Marcela Kawauti afirma que a entrada do 13º pode ter ajudado a aliviar a pressão financeira, mas é preciso estar consciente que se trata de algo temporário e será preciso manter o controle dos gastos. A saída, orienta ela, “é estabelecer prioridades e fazer os ajustes quando necessário. É uma tarefa constante, que exige disciplina, mas que faz diferença no bem-estar financeiro do consumidor”.

Além dos itens de supermercados, os produtos que consumidores planejam adquirir ao longo de janeiro são em sua maioria, calçados e acessórios (27%), remédios (17%), recarga para celular (13%), perfumes e cosméticos (10%) e móveis (8%).

Mais otimismo

Mais da metade dos brasileiros, 54%, estão mais otimistas com o cenário econômico para 2018 e 58% acreditam que sua vida financeira pessoal também será melhor. Dentro dessa perspectiva mais favorável 45% dos consumidores pretendem juntar dinheiro, e 27% se organizar para sair do vermelho.

Uma parcela menor, de 13% dos consultados, acredita que a economia vai piorar. E para enfrentar as dificuldades têm a intenção de evitar gastos desnecessários para conseguir guardar dinheiro, 54%, ou comprar menos, 45%.

Para Kawauti, o aumento dos níveis de consumo estará em grande parte associado à criação de postos de trabalho e à melhora da atividade econômica como um todo. “O consumo está começando a reagir, mas a intensidade dessa reação dependerá da volta dos investimentos e das políticas de combate ao desemprego”, avalia. “Só assim a confiança do consumidor poderá ser restabelecida”, finaliza.

Como medida para superar os problemas financeiros, a maior parte dos entrevistados pretende evitar o uso do cartão de crédito, 26%, organizar as contas de casa, 25%, e aumentar a renda com trabalhos extras, 22%.

Perspectivas

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, traça um cenário e analisa a combinação de fatores que estão no radar de 2018. Segundo ele, o clima é de incerteza em relação à eleição presidencial, com alto grau de imprevisibilidade, que afetam o mercado. Ao mesmo tempo, o país mostra lentidão para superar os obstáculos que impedem a retomada da atividade econômica, situação agravada pelos níveis de desemprego ainda mais elevados. Somente no médio prazo que essa situação vai se modificar, quando as pessoas forem sentindo a melhora dos indicadores econômicos no dia a dia e deixarem a insegurança para trás.

 

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