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há 2 dias por Regina Pitoscia

Caderneta é a preferida, mas rende menos que títulos do Tesouro

Entra ano, sai ano, a caderneta de poupança segue sendo a preferida dos brasileiros quando o assunto é guardar dinheiro. Pelos últimos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) 65% dos recursos aplicados no mercado financeiro, no segmento de varejo, ficaram ancorados na caderneta, em 2018.

Certamente, essa preferência não pode ser explicada pela sua rentabilidade, uma das mais baixas do mercado, 0,37% ao mês ou 4,55% em um ano. A questão é mais abrangente e cultural. A fidelidade foi conquistada por anos a fio, quando havia interesse do próprio governo em popularizar a caderneta e fazer dela a principal fonte de captação de recursos para o financiamento de construção e compra de imóveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação.

“Historicamente, a caderneta foi um bom produto para manter e preservar o poder de compra do aplicador em época de inflação mais alta”, explica Luciano Tavares, fundador e CEO da fintech Magnetis. “Mas desde o Plano Real ela perdeu seu atrativo, não vale mais a pena pelo retorno que proporciona.” Para ele, com as novas tecnologias, o aplicador tem acesso fácil a uma série de opções tão seguras como a caderneta, sem riscos, mas com rentabilidade mais alta.

Pelas condições atuais do mercado e de cálculo de seu rendimento, a caderneta está rendendo menos que um título do Tesouro, mesmo no curto prazo. Se a poupança paga atualmente 0,37% ao mês, um título como o Tesouro Selic oferece uma remuneração líquida de 0,39%, em igual período, depois do desconto do Imposto de Renda e também da taxa de custódia, de 0,25% ao ano.

A origem da desvantagem está nos critérios de apuração do rendimento de ambas as aplicações. O Tesouro Selic, como o próprio nome já diz, tem a rentabilidade baseada na Selic, a taxa básica da economia, que está em 6,5% ao ano. A caderneta aberta depois de 4 de maio de 2012 tem o rendimento equivalente a 70% dessa mesma Selic. Esse ponto de partida deixa a mais popular das aplicações em desvantagem, porque, no nível de 6,5% ao ano, a Selic vai gerar um rendimento de 4,55% ao ano para a poupança ou 0,3715% ao mês.

Essas diferenças entre o que paga a caderneta, os títulos do Tesouro e outras aplicações de renda fixa ficaram estampada nas simulações feitas pela Magnetis Investimentos, para períodos de um mês, três meses, seis meses e um ano. Elas precisam ser consideradas por quem tem interesse em administrar suas finanças da melhor forma possível.

Compare (*)

 Prazo              Caderneta     Tesouro Selic  Fundo DI  CDB(**)  CDB(***)

1 mês                    0,37%              0,39%           0,34%        0,32%       0,42%

3 meses                1,11%              1,16%           1,02%        0,97%          1,27%

6 meses                2,23%              2,42%           2,12%        2,01%        2,65%

1 ano                    4,51%               5,08%           4,46%        4,20%        5,56%

Fonte: Magnetis Investimentos

(*) Rendimento líquido, depois do desconto de Imposto de Renda (exceto da caderneta, que é isenta), da taxa de custódia no Tesouro Selic e da taxa de administração de 1% ao ano no fundo DI

(**) CDB que oferece 80% do CDI

(***) CDB que oferece 105% do CDI

O Tesouro Selic bate a caderneta em qualquer período, o mesmo acontecendo com um CDB com rendimento correspondente a 105% do CDI. Geralmente essa taxa mais parruda é oferecida para volumes mais altos de dinheiro. Para uma aplicação mais miúda, o rendimento do CDB pode cair para algo em torno de 80% do CDI, quando ele perde da poupança nas quatro hipóteses. E um fundo DI com taxa de administração de 1% ao ano fica em desvantagem em relação à caderneta, justamente por esse custo que come parte do rendimento, em todas as situações. Para prazos mais elásticos, no entanto, esses resultados podem mudar.

Nem sempre esses dados estão disponíveis para facilitar a decisão sobre  onde aplicar o dinheiro e, quando estão, podem ser técnicos demais para quem simplesmente quer fazer um depósito e ver seu patrimônio crescer.

“A grande dificuldade em migrar para investimentos mais atraentes está ligada à falta de conhecimento sobre como funcionam ou como ter acesso a eles”, explica o executivo. Mas, segundo Tavares, hoje existe à disposição de qualquer investidor um cardápio bem variado de produtos financeiros, por meio das plataformas online, com aplicativos que facilitam a navegação, checagem de informações e a aplicação em si.

O melhor retorno não decorre necessariamente de um único produto, afirma o especialista, mas sim de uma diversificação e um balanceamento entre algumas aplicações de renda fixa.  Entre as opções para mesclar uma carteira, dentro do segmento mais conservador, ele considera papeis como CDB, Letras do Crédito Imobiliário (LCI), Letras do Crédito Agrícola (LCA) e Letras de Câmbio, todos com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em caso de quebra da instituição financeira em que o dinheiro está aplicado, há garantia de devolução de até R$ 250 mil por CPF de aplicador.

Além dos papeis, ele cita os fundos de renda fixa e os fundos com lastro em títulos de crédito, os Fidcs (fundos de investimento em direitos creditórios), que podem render mais, mas em contrapartida envolvem risco de crédito.

Simulações

Em seu site, www.magnetis.com.br, há uma ferramenta gratuita que pode ser de grande utilidade para quem está desapontado com a caderneta e decidido a buscar melhores opções no mercado. Na prática, é uma consultoria para quem não sabe por onde começar para entender o mundo das finanças.

Trata-se de um simulador em que o interessado informa quanto vai investir e por quanto tempo. De volta, ele recebe as sugestões de como empregar esse dinheiro de forma mais adequada. “Mesmo que o aplicador não continue com a gente e faça os investimentos, pelo menos ele poderá visualizar as opções mais interessantes disponíveis para seu perfil.”

Caso decida investir com a Magnetis, o aplicador terá a indicação de cinco níveis de carteiras diversificadas, de acordo com seu apetite ao risco, do mais conservador ao mais arrojado. Para ter uma ideia de desempenho dessas carteiras desenhadas pela fintech, no ano passado, enquanto a caderneta rendeu 4,68%, a mais conservadora das carteiras e, portanto, de risco mais baixo rendeu 5,88%; a de risco mais elevado rendeu 7,93%. Ao longo do tempo, a diferença de rentabilidade pode se tornar bem expressiva.

Pelas orientações e assessoria, o cliente pagará uma taxa de 0,4% ao ano, um custo que pode compensar pela possibilidade de obter um retorno melhor com os investimentos. A aplicação inicial é de R$ 1 mil e os depósitos seguintes, de R$ 100.

 

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