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há 2 dias por Regina Pitoscia

Cartão de crédito: mocinho ou vilão no orçamento?

Ao constatar que os juros cobrados pelo cartão de crédito no rotativo estão entre os mais salgados do mercado e, ao mesmo tempo, que um terço dos consumidores não tem o menor controle nem sabe o valor das suas despesas, fica fácil entender por que essa modalidade de crédito é uma das principais responsáveis pelo endividamento no País. Trata-se de um uso totalmente inadequado dessa ferramenta de pagamento e financiamento.

Se bem administrado, o cartão permite ao usuário pagar as despesas e ganhar alguns dias, entre a data da compra e a de vencimento da fatura, para realmente desembolsar o dinheiro. Além disso, há os programas de fidelidade oferecidos pelas diferentes administradoras, que convertem os gastos em número de pontos e recompensam os clientes com produtos e serviços.

Pode até parecer estranho, mas muita gente utiliza o cartão para ter mais controle no orçamento, uma vez que podem concentrar em um só dia o pagamento dos diferentes gastos ao longo do mês. Sem contar que a partir da discriminação das despesas na fatura será mais simples identificar quais valores foram destinados para cada setor, se de alimentos, vestuário, lazer, etc. É preciso ter disciplina.

Mas de mocinho o cartão pode passar facilmente a vilão, e isso acontece quando o consumidor não consegue quitar o total da fatura no seu vencimento. Nesse caso, ele tem a opção de pagar o valor mínimo, geralmente de 15% (rotativo regular), ou de não pagar nada (rotativo não regular), mas em ambos os casos o total devido será financiado pelo crédito rotativo.

Essas linhas do rotativo contam com taxas que vão de 8,0% a 13,0% ao mês. Elas poderão ser aplicadas por apenas um mês, porque no término desse período, o usuário terá de pagar integralmente o que deve ou renegociar a dívida em outras bases, com juros e parcelas prefixadas. Ainda que essas condições tenham sido amenizadas com as mudanças impostas pelo Banco Central ao setor, o processo de crescimento do rotativo é absurdo, porque o pagamento feito a cada mês é facilmente engolido pelos juros.

Desde junho deste ano estão em vigor as novas normas do BC, por elas os juros cobrados no rotativo regular e do não regular devem ser unificados, sendo permitida a cobrança de multa de 2% e juros de mora de 1% no não regular. Também ficou a critério de cada administradora fixar a parcela mínima a ser paga no vencimento da fatura, que até então era de 15%. E não deve haver ilusão de que a exigência de uma parcela menor, de 5% ou 10%, possa favorecer o consumidor. Embora o desembolso seja mais baixo, não esqueça de que um valor mais alto será financiado pelo rotativo a juros elevados.

Por isso, o ideal é usar o cartão sempre com planejamento dos gastos, sabendo de suas possibilidades de pagamento no mês seguinte ao das despesas. Mas uma pesquisa feita em agosto pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e o Serviço de Proteção do Crédito, SPC-Brasil, mostra que esse tipo de iniciativa está bem distante da realidade de muitos brasileiros.

Nada menos do que 33% que usaram o cartão naquele mês não sabem quanto gastaram. Entre os que se lembram do valor das despesas, a fatura média foi de R$ 882,00. Cerca de 25% entraram no rotativo e 74% pagaram o valor integral da fatura, percentual que cai para 64% nas classes C e D.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o uso do cartão de crédito exige cuidados e não pode funcionar como complemento da renda. “A falta de disciplina no controle do orçamento acaba provocando uma desorganização tamanha que, em muitos casos, o consumidor precisa recorrer a renegociações que levam muitos meses para quitar, comprometendo parte do orçamento por um bom tempo”, alerta a economista.

 

 

 

 

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