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há 2 dias por Regina Pitoscia

Com Selic de 4,5% ao ano, cresce o risco de juro ficar negativo


Piso de juros da economia, a taxa Selic de 4,50% ao ano pode ter chegado a seu piso, após o corte de mais 0,50 ponto porcentual decidido pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), na última quarta-feira, 11 de dezembro.

O comunicado divulgado no fim da reunião, a última do colegiado em 2019, suscitou dúvidas entre analistas e economistas sobre a continuidade ou não do último ciclo de redução, de 0,50 ponto em cada encontro, iniciado em julho, que cortou o juro básico de 6% ao ano para 4,50%.

Para uma ala do mercado financeiro, a sinalização dada pelo BC sugere o  fim da temporada de redução da Selic, enquanto outra prevê uma redução adicional, de 0,25 ponto, na primeira reunião do Copom em 2020.

Especulações à parte, o fato é que, à medida que a Selic cai, mais baixo fica o rendimento da renda fixa, um mercado cativo de aplicadores conservadores que se contentam com rendimento menor em troca de mais segurança e previsibilidade.

A questão é que com a queda contínua da Selic, referência de juro para a remuneração de títulos e fundos de renda fixa, o rendimento nominal dessas aplicações também despencou. Ficou tão baixo que o risco de ganho negativo, abaixo da inflação, aumentou diante de situações de repique de alta de preços.

Como em novembro, quando o esticão de preços da carne bovina espichou a inflação do mês, calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 0,81% e impôs fortes perdas ao aplicador em títulos de renda fixa, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), fundos de renda fixa e DI, e também em caderneta de poupança.

No nível recorde de baixa a que chegou a Selic, qualquer acidente de percurso da inflação pode levar, ainda que momentaneamente, o aplicador em renda fixa a amargar rendimento negativo.

A dificuldade é que o investidor resistente a risco não tem para onde correr na renda fixa, já que as opções nesse segmento estão com a rentabilidade padronizada, indexada à Selic cada vez menor.

Algumas estratégias, porém, podem colocar o aplicador na rota de um rendimento ligeiramente mais robusto, com relativa flexibilidade para suportar possíveis repiques de inflação pelo caminho. Uma delas é aproveitar as ofertas das plataformas digitais, as fintechs, com produtos de investimento mais atraentes que os dos bancos tradicionais.

Outra dica é aplicar por prazos mais longos, para recolher menos imposto de renda – uma aplicação de renda fixa de até 180 dias paga imposto de 22,50%, calculado e descontado do rendimento nominal, alíquota que recua para 15% para aplicação acima de 721 dias, com alíquotas intermediárias de 20%, aplicação entre 181 e 360 dias, e de 17,50%, entre 361 e 720 dias.

Aplicação por prazos curtos correm até o risco de render menos que a inflação, após o desconto de imposto de renda, e, nos fundos de investimento, da taxa de administração. O mais indicado, no caso de fundos, é escolher um que cobra taxa de administração próxima de zero.

 

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