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há 2 dias por Regina Pitoscia

Como a inflação mais baixa vai afetar seu bolso

A inflação oficial de janeiro ficou em 0,38%, a mais baixa para o mês em mais de 20 anos. Os preços estão em trajetória de queda desde o fim do ano passado, quando os de alguns alimentos, especialmente os agropecuários, vieram abaixo, após seguidos choques de oferta. Quem não se lembra no primeiro semestre de 2016 dos pinotes que os preços de milho, feijão, cenoura, cebola, tomate, leite.

Inflação e juros

Com a inflação em alta, o Banco Central  manteve a taxa básica de juros, Selic, em 14% ao ano, até outubro, quando iniciou o ciclo de redução dos juros, seguindo a rota de queda traçada pelo IPCA.

O BC calibra o nível da Selic de acordo com a expectativa de inflação. Se há perspectiva de elevação, os juros sobem para tornar o crédito mais caro e deprimir o consumo e, com isso, inibir o avanço de preços. Se a tendência for inversa, de queda do IPCA, os juros caem para baratear o crédito e encorajar o consumo.

É dessa forma que, em linhas gerais, funciona a política monetária, o manejo de juros pelo BC para controlar a inflação. Ainda que, na alta recente do IPCA, a pressão tenha vindo do impacto de elevações pontuais dos preços de alguns produtos – e não do excesso de consumo, já que, com a economia em crise, faltam emprego e renda para a pessoa gastar.

Recessão e queda do consumo

A retração do consumo derivada da recessão, e em certa dose também pelos juros altos, trouxe a inflação para baixo e abre caminho para quedas mais ousadas da Selic. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária, que decidirá o rumo do juro básico, está marcada para os dias 21 e 22 de fevereiro. A expectativa do mercado financeiro é de novo corte da Selic, que poderia vir dos atuais 13% ao ano para 12,25%.

Inflação e juros em queda, as principais conquistas por enquanto do atual governo, mesmo à custa de profunda recessão, tendem a melhorar as expectativas em relação à possível recuperação da economia.

Emprego e renda

Uma retomada que, pelas características da atual crise, deve ser vagarosa, sem grandes impactos iniciais no bolso do brasileiro.

Se o efeito tende a ser mais lento ou brando para quem procura emprego e renda, a consequência da redução dos juros deve ser mais imediata no bolso de quem tem dinheiro investido ou para investir no mercado de renda fixa.

Aplicações e crédito

O rendimento de aplicações financeiras já passa por ajuste à Selic mais baixa, processo que deve ter continuidade, com redução de rentabilidade, à medida que o BC for reduzindo os juros ao longo do ano.

Quem deve demorar para sentir também o efeito desconfortável dos juros  é o consumidor que precisa de crédito. Os custos das várias modalidades de financiamento têm passado por ligeiro ajuste, nada que alivie verdadeiramente o bolso.

Evite os empréstimos por enquanto, apesar das iniciativas do governo para induzir a redução dos juros pelos bancos. A expectativa é que os juros ao consumidor só passem a cair com mais vigor quando houver recuperação de emprego e de renda e redução da inadimplência.

 

 

 

 

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