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há 2 dias por Regina Pitoscia

Como as incertezas no País atingem o seu bolso

A inflação, que vinha em trajetória tranquila e consistente de queda, pode passar por inesperado desvio dessa rota, afetada pelo sentimento de insegurança com a turbulência no front político. A crise do governo do presidente Michel Temer assumiu contornos mais graves, senão dramáticos, pondo em xeque sua permanência no comando do País, após a delação, feita por dono do frigorífico JBS, de que o presidente pagava pelo silêncio do deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, preso em Curitiba pela operação Lava-Jato.

O prognóstico de analistas e economistas do mercado financeiro, estampado no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira aponta que a inflação acumulada pelo IPCA pode fechar o ano em 3,92% – abaixo, portanto, da meta de 4,50% que o Banco Central mira na calibragem da taxa básica de juros, a Selic, nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária). O próximo encontro do comitê para a definição do rumo do juro básico está marcado para os dias 30 e 31 de maio.

Reversão?

Não dá para saber até que ponto o terremoto político, cujo desfecho poderia levar até à saída de Temer e de sua equipe econômica, vai afetar a trajetória da inflação. Sabe-se, porém, que um de seus componentes é a expectativa, sempre abalada em momentos de crise e incertezas, como ocorre agora.

É possível que a insegurança com o rumo da economia, que exibia alguns sinais positivos, como a queda da inflação e dos juros e, mais recentemente, a perspectiva de reação da atividade, estimule alguma remarcação preventiva ou defensiva de preços. Ainda que uma economia mergulhada em recessão, com desemprego elevado e queda de renda, não permitam espaço e folga para reajustes.

Pressão do dólar

O risco maior sobre a inflação, segundo analistas e economistas, poderia vir da alta das cotações do dólar, que reagiu com forte valorização no momento inicial do agravamento da crise.

Dólar mais caro afeta negativamente a inflação porque tona mais altos os preços de produtos e insumos importados. Não é à toa que administração da cotação do dólar em nível baixo tem sido costumeiramente usada pelos governos para manter a inflação bem comportada.

É pelo dólar alto que poderia vir a pressão mais forte sobre a inflação, avaliam analistas do mercado financeiro. Essa perspectiva poderia levar o BC a reduzir ou manter a intensidade de redução da taxa Selic. Em cada uma das duas últimas reuniões, o Copom cortou um ponto porcentual o juro básico e a expectativa, antes do estouro da crise política, era que o tamanho do corte fosse aumentado para 1,25 ponto porcentual.

Corte nos juros

Seja como for, a expectativa de que a inflação seja afetada pelas incertezas deverá deixar o BC mais cauteloso na administração da política monetária e o mercado de crédito mais resistente às novas reduções nos juros dos financiamentos. Pelo menos até que a poeira assente e o cenário político-econômico fique mais claro.

Tudo indica que o consumidor, que ainda não notava o efeito positivo do corte da Selic sobre os juros que paga nas linhas de crédito, levará agora mais tempo para sentir a redução das taxas de juro no bolso.

O cenário à frente continua exigindo cautela redobrada com a gestão do orçamento para não se enrolar em juros elevados e mergulhar em dívidas.

 

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