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há 2 dias por Regina Pitoscia

Criação de empregos foi positiva em julho

Os números positivos sobre a criação de vagas no mercado de trabalho no mês de julho não chegam a empolgar: a diferença entre o total de contratações (1.219.184) e o de demissões (1.171.868) corresponde aos postos de trabalho que foram gerados, com carteira assinada, e ficou em 47.319, em todo o País. De fato, um desempenho modesto diante do universo de 13 milhões de brasileiros que estão desempregados.

Os dados foram divulgados na última semana pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. A cada mês, as empresas que contratam ou dispensam empregados estão obrigadas a enviar essas informações às respectivas Delegacias Regionais do Trabalho. Os dados são depois consolidados no Caged e, além de ser um termômetro para o mercado de trabalho, vão balizar estudos, pesquisas, usados na elaboração de programas e até mesmo de políticas de governo para o setor.

Portanto, não deixa de ser uma boa notícia o fato de terem ocorrido mais contratações do que demissões em julho, no melhor resultado em seis anos para esse mesmo mês. Com isso, o total de criação de vagas nesse ano vai para 448.263, e pode quebrar uma sequência de três anos que registraram saldo negativo na geração de empregos. Ao longo de 2017, por exemplo, foram fechados 20.832 postos de trabalho. Dados que permitem apostar que, depois de bater o fundo do poço, o mercado engate em uma curva mais consistente de recuperação.

O setor econômico que mais gerou emprego foi o da agricultura (17.455), seguido pelo de serviços (14.548), e pelo da construção civil (10.063). Na sequência apareceram o da indústria de transformação (4.993), serviços industriais de utilidade pública (1.335) e extrativa mineral (702). Apenas dois setores da economia demitiram mais do que contrataram: administração pública (-1.528) e comércio (-249).

Salário menor

Por uma análise da gerente de recolocação da consultoria NVH – Human Intelligence, Fernanda Andrade, além dos altos índice de desemprego, outro aspecto vem castigando o trabalhador: a queda no valor do salário. Segundo ela, algumas estimativas dão conta que quem está empregado ganha, em média, apenas 60% do que os profissionais com a mesma função recebiam alguns anos atrás. Em outras palavras, houve um recuo de 40% no nível das remunerações.

Essa é uma realidade que deve ser ponderada por quem busca recolocação no mercado, na opinião da especialista. “Os candidatos precisam levar em consideração a possibilidade de ganharem menos do que ganhavam em seu último emprego, precisam se adaptar e demonstrar flexibilidade na hora de negociar o salário”.

Dessa forma, o profissional não deve ir colocando a pretensão salarial no currículo, porque esse é um item a ser abordado pessoalmente. Sem demonstrar desespero, a ponto de dizer que aceita qualquer coisa, orienta ela, o candidato tem de se valorizar, sem ignorar a situação complicada pela qual atravessa o País.

A consultora esclarece que “aceitar ganhar menos não significa sujar a carteira, como se dizia antigamente, até porque o modelo de contratação vem se transformando. Carteira assinada não é mais a única possibilidade de trabalho”.  Atualmente o caminho de trabalhar por conta própria como consultor independente ou prestador de serviços, na figura de pessoa jurídica, tem sido percorrido por muita gente.

O item salário não deve ser avaliado de forma isolada, porque muitas empresas oferecem pacotes de benefícios interessantes, que incluem vales alimentação, refeição e transporte, participação nos lucros, entre outros, ressalta a gerente. “Às vezes, quando levadas em consideração, essas vantagens acabam até ultrapassando o salário anterior”. Além disso, o profissional pode ter outras vantagens como conseguir um emprego mais perto de casa, ou que ofereça a possibilidade de home office, “porque ter mais tempo para a família ou para si mesmo também é um grande benefício”, afirma a consultora.

As oportunidades de desenvolvimento de carreira também precisam ser colocadas nessa balança, como aprendizado e crescimento na empresa. “Se o salário não é o ideal, mas se a proposta está alinhada ao seu plano profissional, talvez compense, porque precisamos buscar uma carreira que nos traga felicidade e não apenas recursos materiais”, diz Andrade. “Em alguns momentos, um passo para trás ou para o lado são determinantes para uma jornada de sucesso, só não vale a pena ficar parado”, finaliza.

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