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há 2 dias por Regina Pitoscia

Mais de 63 milhões de brasileiros estão com nome sujo

Em julho, o País bateu mais um triste recorde: nada menos de 63,4 milhões de brasileiros estão com seu nome negativado, quer dizer, na lista de maus pagadores, porque ter compromissos em atraso. Isso representa 41% da população adulta. É o que mostra a última pesquisa em nível nacional feita pelo Serviço de Proteção do Crédito (SPC Brasil) em conjunto com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

O crescimento de 4,31% no índice de negativados em relação ao mês anterior está mais ligado à falta de pagamento de contas de água, luz, gás, os chamados serviços básicos. Entre os que estão atolados em dívidas e deixando de pagar em dia as contas a maior parte se concentra na faixa de idade entre 30 aos 49 anos, alcançando 32 milhões de consumidores.

São despesas que acarretam consequências no dia a dia do endividado, que poderá ter o fornecimento de energia, gás ou água, cortado de uma hora para outra. Um sinal de que o orçamento está totalmente estrangulado, sem outras opções de corte nos gastos. Na segunda posição, aparecem as dívidas bancárias e aí incluindo cartão de crédito, cheque especial e outras linhas de financiamento.

Sair do vermelho

Seja o que for, o importante é tentar sair o mais rapidamente da lista dos negativados, conseguindo liquidar as pendências. O que não é nada fácil para quem está desempregado, ou teve uma redução na sua renda, enfrentou problemas de saúde, ou de separação, e por aí vai. Dívidas e contas atrasadas devem ser vistas como o que realmente são: consequências de imprevistos ou de um descontrole. Virar o jogo é sempre possível!

O único jeito de voltar a ter equilíbrio financeiro é enfrentar o problema, mesmo que isso signifique adotar medidas radicais como cancelar o cheque especial e o uso do cartão – principais fontes de endividamento atualmente. Não é raro que a pessoa julgue ser essa uma situação passageira e que se resolverá em pouco tempo, sem que seja necessária nenhuma atitude mais drástica. Quanto mais amargo for o remédio, mas rapidamente será possível sanear as finanças.

Vai ser preciso adiar projetos importantes e deixar de fazer compras, passear e se divertir como antes. Apertar o cinto. Procurar por trabalhos que gerem rendas extras. Ir atrás dos credores para renegociar as dívidas. Mas, um passo por vez.

Por onde começar

O primeiro deles é listar todas as pendências e seus valores: contas atrasadas, como aluguel, condomínio, mensalidade escolar, prestações de imóvel e carro; dívidas no cartão de crédito, cheque especial, cheques pré-datados ou devolvidos; as despesas com taxas de juros de empréstimos. É importante incluir até mesmo valores pequenos, pois somados eles podem representar valor expressivo. Some tudo.

O segundo passo será avaliar o tempo necessário para zerar os débitos. Para isso, é fundamental montar um orçamento relacionando receitas como salário e aposentadoria e despesas, além de prever reduções de gastos e considerar eventuais ganhos extras. Reúna a família para combinar a melhor forma de usar o orçamento para que todos realizem seus planos. Discuta o assunto e defina as despesas de cada um. É importante que todos na casa se envolvam e que cada um assuma o compromisso de reduzir seus gastos.

Com esses cálculos, será possível saber quanto poderá pagar a cada mês em eventual renegociação das contas atrasadas.  Se tiver a radiografia da situação é hora de procurar os credores e, para readquirir o equilíbrio financeiro, o acordo terá de ser fechado em condições que permitam realmente saldar as dívidas.

Deve-se evitar cair na armadilha de achar que depois disso tudo está resolvido. Na verdade, haverá uma situação mais fácil de administrar, mas as dívidas permanecem no mesmo lugar para serem pagas. É preciso também fugir de soluções mágicas do crédito informal, em que as exigências para a liberação do dinheiro são mínimas, mas os juros, estratosféricos.

 

 

Para as dívidas bancárias, vale procurar o gerente da conta, explicar a situação e tentar rever as pendências a juros menores e com prazos dentro do tamanho do bolso. É interessante checar a possibilidade de levantar um crédito consignado, no caso de quem é assalariado, funcionário público, aposentado ou pensionista do INSS. Esse tipo de empréstimo tem juros menores se comparados a outros tipos de crédito e parcelas descontadas diretamente do salário ou da pensão.

Quem optar por um novo crédito para cobrir as dívidas atuais, deve pagar o que deve com esse dinheiro e reorganizar o orçamento da casa para evitar um novo descontrole. Nem pensar em novos financiamentos para novos gastos, nessa fase de reorganização das finanças.

O corte de gastos

Cortar gastos é a parte mais delicada no desafio de sair do vermelho. Mas nada que seja impossível. Tudo deve partir de uma análise das despesas para saber o que é essencial – como aluguel, alimentação, escola – e o que pode ser reduzido ou cortado. E aí o leque pode ser amplo, desde procurar por produtos mais baratos no supermercado – alimentos, limpeza e higiene –, eliminando os supérfluos e evitando os desperdícios, na hora de preparar os alimentos ou usar os produtos. Toda tentativa de reduzir despesas será bem-vinda.

Outras iniciativas que rendem boa economia são buscar serviços mais baratos ou pacotes promocionais entre as operadoras de celular, telefone, internet e TV e comprar apenas o que for indispensável, pesquisar preços, negociar descontos à vista e preferir marcas com a melhor relação entre custo e benefício.

Na ponta de entrada de dinheiro em casa, uma ideia é considerar a possibilidade de receber parte das férias em dinheiro, usar ou antecipar o 13º salário, vender bens ou buscar trabalhos extras.

Muitas vezes, mesmo tendo se planejado para acertar seus débitos, o consumidor se vê diante de situações de emergência, como o desemprego, que colocam de novo em desequilíbrio as finanças da família ou agravam um rombo já existente no orçamento. Quem perder o emprego, por exemplo, deve pensar em usar para quitar dívidas ou financiamentos em aberto, além de cortar despesas até encontrar um novo trabalho. Quem sofrer um acidente ou problema de saúde, precisa refazer as contas considerando um rendimento menor, caso precise se afastar do trabalho. Quem terminar um casamento poderá reduzir alguns gastos, mas precisa saber que não haverá mais a segunda fonte de renda.

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