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há 2 dias por Regina Pitoscia

Mercado de trabalho dá sinais de melhora

Estamos deixando para trás um ano em que alcançamos um recorde dramático no mercado de trabalho: no primeiro trimestre, o número de desempregados chegou a atingir 14,2 milhões de brasileiros. No decorrer dos meses, no entanto, houve uma melhora e, pelos levantamentos do IBGE, o total de desocupados no final de outubro caiu para 12,7 milhões, com recuo de 10,6%.

Apesar de estar em níveis bem elevados, é possível que os números fechados do desemprego em 2017 tragam um cenário ainda mais alentador, até porque muitas vagas são criadas na indústria e no comércio nessa época de festas, quando cresce o consumo. Não apenas por isso, mas porque a economia já emite sinais de recuperação, e há uma melhora nos níveis de confiança do empresariado. Os juros em queda, e a inflação em níveis baixos, animam o consumidor a buscar crédito para suas compras. A roda que faz girar a economia.

Mais otimismo

Há otimismo em relação ao próximo ano. Para Marcelo Olivieri, diretor da Trend e especialista em Recrutamento em Marketing e Vendas, 2018 será marcado por recuperação econômica. Afinal, segundo ele, alguns setores já voltaram a investir e a contratar, e isso deve aparecer de forma expressiva nos mercados de tecnologia e serviços, que se mantiveram aquecidos mesmo com a crise. Eles são uma tendência global, portanto, a demanda tende a aumentar de maneira mais independente do que venha a ser o comportamento econômico no mercado interno.

O especialista ressalta que a queda do desemprego e o aumento da renda familiar também são uma injeção direta no setor de bens de consumo, que já demonstra bons índices de melhora. Olivieri explica que esse é um mercado que investe muito na contratação da cadeia de marketing e vendas quando a economia está bem.

Na indústria, ressalta o diretor, os mercados automotivos e de óleo e gás sofreram muito com a crise dos últimos anos. Com a retomada econômica e um novo ânimo para esses setores, existe a possibilidade de um aumento significativo nas contratações. Isso porque esses mercados tem uma cadeia longa de produção, injetando dinheiro desde o fabricante da matéria-prima, passando pelos produtores intermediários, até o que entrega o produto final acabado. “São muitos níveis e empresas que se alimentam mutuamente, o que representa muitos cargos e cadeiras vagas para serem preenchidos” afirma.

Para fazer o mercado de recrutamento e seleção decolar dentro dessas perspectivas, afirma Olivieri, é necessário equilibrar a balança entre quem contrata e os profissionais disponíveis. “Uma vez que as empresas iniciem os processos seletivos é fundamental que os candidatos estejam preparados para assumir os novos postos de trabalho”, alerta. “Caso contrário, haverá uma disputa agressiva por aqueles que são muito bons, e em vez de novas oportunidades serem criadas, podemos vivenciar uma elevação desnecessária dos salários”, conclui.

Embora os sinais sejam positivos, ele faz a ressalva de que “o cenário político e econômico no Brasil é um castelo de cartas. As empresas calculam movimentos cuidadosamente, mas ao menor sinal de ventania tudo pode se abalar”.

E a reforma?

Até que ponto as novidades trazidas pela Reforma Trabalhista podem contribuir para a criação de empregos. As opiniões ainda são divididas.  Muitos consideram que ela piorou a qualidade do emprego, retirando certas garantias do trabalhador, mas há quem defenda que ela já apresenta pontos positivos para quem está à procura de uma vaga.

No balanço de um mês de vigência da nova legislação das relações de trabalho, o saldo parece positivo por estar acontecendo um crescimento das contratações pelo contrato intermitente. Ana Paula Neves, diretora de Corporações & Governo da Thomson Reuters, cita como exemplo a temporada da Black Friday em que grandes varejistas recrutaram profissionais temporários já aplicando os novos modelos de contrato e registro em carteira. Segundo ela, essa prática deve ser mantida para o Natal e em outras datas comemorativas, caso não haja alterações na lei aprovada.

O professor e coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, Reginaldo Gonçalves, afirma que o contrato intermitente tem motivado as empresas a contratar mais trabalhadores, em especial nessa época do ano, quando o Natal exige um número maior de profissionais, notadamente, nos setores de serviços e comércio.

Ele esclarece que em anos anteriores as empresas de grande porte tinham de recrutar os funcionários em regime normal ou temporário, com custos significativamente mais elevados. “Com as novas regras foi possível contratar um número maior de profissionais. Algumas dessas empresas contrataram três vezes mais do que normalmente faziam em época de aumento de demanda”, diz o professor.

O contrato de trabalho intermitente, ressalta Gonçalves, é uma boa opção porque evita riscos trabalhistas e reduz custos relacionados a horas extras e desligamentos de funcionários, em relação ao regime normal. “Embora alguns afirmem que isso seja uma precarização do trabalho, a verdade é que pode representar uma nova oportunidade para muitos trabalhadores”.

Outra vantagem apontada pelo especialista, dentro desse modelo, é o fato de as empresas poderão ter contato com profissionais de bom potencial que poderão ser admitidos depois pelo regime normal de trabalho. “O momento é importante para que, por meio do contrato intermitente, os trabalhadores tenham a oportunidade de, além de contar com salários neste final de ano, conquistar um emprego mais duradouro em 2018”.

De acordo com pesquisa feita pela Federação Nacional e Sindicato Paulista do setor da Terceirização e do Trabalho Temporário, entre os seus empresários, as novas leis trabalhistas vão permitir um crescimento de 40% no setor de Serviços. Para 75% dos entrevistados, as empresas de prestação de serviços já têm o quadro funcional capacitado para atender novos negócios; e 54% apostam na melhora significativa do volume de negócios.

 

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