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há 2 dias por Regina Pitoscia

Cuidado com as despesas no cartão de crédito

Não dá para vacilar com as despesas pagas com o cartão de crédito. É preciso mantê-las dentro da capacidade de pagamento a cada mês, porque uma rolagem de dívida, sem o pagamento total da fatura, pode sair bem caro e, mais do que isso, levar o usuário facilmente à inadimplência.

Basta pegar como exemplo a taxa que vem sendo cobrada pelo Bradesco no rotativo do cartão, tanto no regular como no não regular, de 14% ao mês ou 384% ao ano. Nessas condições, uma dívida de R$ 5 mil, suponhamos, pularia para R$ 5.700 em apenas um mês, ou R$ 24.200 em um ano.

Perceba ainda que, mesmo que o consumidor quitasse o mínimo exigido da fatura de 15%, nesse caso equivalente a R$ 750, a sua dívida cairia para R$ 4.250. No entanto, ao aplicar os juros de 14% ao mês ao saldo devedor, a dívida seria recomposta para R$ 4.845. Quer dizer, a amortização do saldo seria praticamente engolida pela cobrança dos juros. É por isso que o usuário atolado com o cartão de crédito não consegue encontrar o caminho de volta à normalidade em suas finanças.

Esse tipo de cuidado de dar o passo conforme a perna nem sempre é considerado na hora do consumo. Tanto é que pesquisa recente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas em parceria com o Serviço de Proteção do Crédito, SPC-Brasil, mostrou que nada menos do que 33% dos consumidores, que participaram do estudo, não sabiam informar quanto haviam gasto no mês anterior. E 25% foram forçados a entrar no rotativo porque não tinham recursos suficientes para pagar o total da fatura.

Mas além das dificuldades de assumir essa responsabilidade de controle dos gastos com rédeas curtas, outras questões podem piorar a situação do consumidor. Segundo um estudo feito pela Minsait, Consultoria em Transformação Digital, a pedido da Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito, o excesso de informações e a complexidade de conceitos como taxas e encargos podem dificultar o entendimento de alguns consumidores sobre os valores a serem pagos.

O levantamento foi realizado participantes de 25 a 45 anos em cinco regiões do Brasil, com base nos seguintes requisitos: pessoas que pagaram integralmente todas as faturas nos últimos 6 meses; que pagaram o mínimo ou nada em pelo menos três faturas; e que pagaram o mínimo ou nada em uma ou duas faturas.

A partir da análise das respostas dos grupos, o trabalho identificou que, em geral, os consumidores acham a disposição das informações da fatura do cartão confusa e têm dificuldade para entender termos financeiros como juros expressos em porcentagem – preferindo checar valores absolutos, pois dessa forma conseguem ter uma noção real das quantias a serem pagas.

Quer dizer, ainda usando o exemplo acima, não adianta falar que os juros são de 14% ao mês, mas informar o quanto em reais a dívida vai crescer de um mês para o outro. Para o consumidor a fatura deveria ser mais simples e objetiva.

O objetivo era identificar eventuais melhorias na comunicação no processo de pagamento dos cartões. “A pesquisa ajudou na compreensão de que algumas ações práticas podem impactar o consumidor de maneira positiva, como o fato de apresentar a dívida em valores absolutos e não em percentual, além de mostrar informações de maneira estruturada por blocos, clareza nas alternativas de pagamento caso o valor total não possa ser pago e informações organizadas a respeito do consumo por segmento”, afirma Oscar Pettezzoni, diretor executivo de Serviços Financeiros da Minsait no Brasil.

Mesmo de maneira complexa, a consultoria destaca que o cartão de crédito é o único produto de crédito que envia uma fatura detalhada mensalmente. Outras modalidades como cheque especial, consignado, financiamento de veículos não emitem esse tipo de informe e, portanto, não têm esse elo tão frequente de monitoramento por parte do consumidor.

Se as administradoras resolverem melhorar as informações que vão na fatura a cada mês, o consumidor tende a ser beneficiado.

Dicas práticas

Para evitar as armadilhas financeiras de gastar mais do que recebe, há quem acabe por não ter nenhum cartão. No entanto, uma das saídas para o uso racional do dinheiro de plástico é solicitar um limite relativamente baixo para os gastos. Trata-se de um freio para a que a fatura seja compatível com o bolso. O que não dá é entrar no rotativo e ficar sujeito a juros escorchantes.

Quando bem administrado o cartão permite ao usuário ganhar alguns dias para pagamento da despesa pelo mesmo valor. E os mais disciplinados acabam utilizando o cartão para administração do orçamento concentrando quase todos os seus gastos para pagamento em único dia, o dia de vencimento da fatura.

 

 

 

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