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há 2 dias por Regina Pitoscia

O que esperar do mercado financeiro em dezembro

A um mês da troca de ocupante da cadeira presidencial no Palácio do Planalto, com a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, os investidores não disfarçam certo desconforto com a falta de sinais que indiquem com maior clareza e detalhes as propostas econômicas que devem pautar os rumos do novo governo a partir de 1º de janeiro.

Até agora, tudo tem caminhado bem. O roteiro eleitoral atendeu às expectativas do mercado financeiro, que comemorou a vitória de Bolsonaro e foi brindado, pelo presidente eleito, com escolhas rápidas de nomes da equipe econômica que agradaram em cheio aos investidores.

O perfil liberal e a formação de cada um dos integrantes da equipe, a começar por Paulo Guedes no Ministério de Economia, fortaleceram o sentimento do mercado de um time econômico comprometido com a agenda econômica liberal de reformas estruturais e de ajuste fiscal.

O interesse dos investidores a esta altura do governo de transição, no entanto, vai além dessa constatação. O mercado quer que a equipe chefiada por Guedes indique os pontos principais da política econômica do novo governo. Até agora, os compromissos e as supostas medidas de ajuste das contas públicas não passaram da linha de expectativas.

Outro ponto que atrai a atenção dos investidores é como o novo governo vai relacionar-se com o Congresso, no encaminhamento e aprovação de propostas de reformas econômicas. Em declarações, o presidente eleito deu a entender que pode governar de costas para o Congresso, sem recorrer a barganhas nem a troca de favores para aprovação de medidas.

Pelo sistema presidencialista de coalização em vigor até agora, a boa relação entre governo e parlamentares, ainda que permeada pelo ritual do toma-lá-dá-cá, é vista como crucial, já que as principais medidas precisam da aprovação de senadores e deputados federais. Algumas, como a proposta de mudança nas regras de aposentadoria, pela maioria de três quintos na Câmara e no Senado (votos favoráveis de 308 deputados e de 49 senadores), o que não é pouca coisa.

A intenção do governo seria enviar o projeto de reforma da Previdência Social ao Congresso até março do ano que vem.

A gestão que assume na virada do ano pretende tocar uma política econômica fincada no ajuste fiscal que tem como um dos pilares básicos a reforma previdenciária. O entendimento é que a mudança nas aposentadorias é a peça principal para frear o mecanismo do explosivo crescimento do déficit público (volume de gastos superior ao das receitas).

A agenda liberal de Bolsonaro e equipe inclui ainda como medidas para o reequilíbrio das contas públicas, além da reforma previdenciária, privatizações e concessões, reforma tributária, abertura comercial, possível venda de parte das reservas internacionais para uso desses recursos no abatimento da dívida pública, dentre outras.

A expectativa é que a redução do rombo fiscal, pela adoção dessas medidas, traga de volta a confiança dos agentes econômicos, estimule a retomada dos investimentos e da atividade econômica e, com ele, a criação de novos empregos e o aumento de renda.

Pé atrás

Acenos dessa natureza foram a tônica das promessas do início de governo do segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, com a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Na época, propostas de mudanças econômicas não prosperaram no Congresso em boa medida por causa da falta de articulação no diálogo do governo com os deputados.

Dificuldade enfrentou o governo de Michel Temer, que foi bem-sucedido na aprovação do teto para os gastos públicos, mas viu a principal das propostas de reforma, a previdenciária, abortada pela crise política gerada pelas denúncias dos executivos do frigorífico JBS contra Temer.

É pela falta de ideia mais clara das reformas econômicas que serão patrocinadas pelo novo governo e incomodado com o destino recente de propostas semelhantes enviadas ao Congresso, espelhado pelo retrovisor da história, que o mercado financeiro tem adotado um sentimento de cautela, apesar do otimismo em relação à economia com o novo governo.

Exterior dá o tom

Embora o governo de transição permaneça no foco das atenções, por enquanto o cenário internacional – na forma de eventos e expectativas – tem influenciado os rumos do mercado doméstico.

Dois desses fatores se destacam no radar dos investidores: a disputa comercial entre Estados Unidos e China, com possíveis efeitos negativos sobre a economia brasileira, e perspectiva de alta mais acelerada e forte dos juros americanos, que poderia pôr pressão sobre o dólar, já que atrairia capitais para aplicação em títulos do Tesouro dos EUA. Dólar valorizado ou real depreciado pressiona a inflação e os juros domésticos.

Esse fator de incerteza foi tirado do radar, depois que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) indicou, na quarta-feira, uma alta dos juros mais branda que a prevista anteriormente pelo próprio Fed.

A expectativa de especialistas é que o fato novo vindo dos EUA dê alívio ao mercado financeiro doméstico, principalmente à bolsa de valores, que, poderia, enfim, deslanchar e engatar uma alta mais vigorosa, puxada pelo otimismo com a eleição de Bolsonaro.

A ideia é que uma pausa, ainda que parcial, no cenário de incertezas animaria os negócios na bolsa de valores, especialmente se o capital estrangeiro retornar ao País para a compra de ações.

O temor de que esteja em curso uma desaceleração de atividade nos principais países persiste, independentemente do comportamento dos juros americanos ou do desfecho da disputa comercial entre EUA e China, mas especialistas continuam otimistas com a bolsa de valores, pelo menos para os próximos meses. Um convite para que o investidor diversifique as aplicações e destine uma parcela dos recursos da renda fixa para ações.

As indicações recaem para ações de empresas do setor imobiliário e de consumo voltadas ao mercado doméstico que seriam beneficiadas com a retomada do emprego e aumento de renda.

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