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há 2 dias por Regina Pitoscia

O que há no mercado para aplicações de curto prazo

Papeis de renda fixa que oferecem possibilidade de resgate a cada dia podem ser boa opção para o dinheiro que tem destino certo, sem poder ser exposto ao risco. É o caso dos recursos que serão usados para o pagamento de compromissos, que vão complementar o orçamento ou, ainda, serão reservados para emergências.

Nessa temporada de juros na casa de 5% ao ano, conciliar a liquidez com rendimento que possa ser mais atraente do que o da caderneta se tornou um desafio ainda maior.  O aplicador sabe que para encontrar uma rentabilidade um pouco mais alta, capaz de proteger o capital da inflação e ainda proporcionar uma parcela de ganho real, terá de aceitar prazos mais longos, de um, dois, três anos ou mais. Quanto maior o prazo, melhor tende a ser a remuneração.

Mas o que fazer com o dinheiro que precisa de liquidez? A saída mais popular costuma ser a caderneta de poupança, que permite resgate a cada mês, pagando uma rentabilidade equivalente a 70% da taxa Selic, o que atualmente está em 3,5% ao ano ou 0,29% ao mês. E com a perspectiva de encolher mais, se o juro básico da economia for para 4,5% ao ano em dezembro.

Uma opção à caderneta são os papeis de renda fixa, mais especificamente CDB e títulos como o Tesouro Selic, com liquidez diária, que é até mais alta do que a da poupança, com a possibilidade de retiradas mensais sem perda do rendimento, na data de aniversário da conta.

Com esses títulos, o rendimento será pago proporcionalmente até o dia do resgate, já na caderneta o resgate fora do dia certo leva à perda de toda a remuneração, adverte o sócio e chefe de Renda Fixa da XP Investimentos, Bruno Saads.

Os papeis com liquidez diária também são competitivos em termos de rentabilidade, esclarece o executivo. Mesmo com a tributação de imposto de renda, que varia de 22,5% a 15%, dependendo do prazo da aplicação (quanto maior o prazo menor o imposto), CDB e Tesouro Selic diários podem render mais que a poupança. Segundo seus cálculos, em bancos médios, é possível conseguir um retorno de 100% do CDI (em torno de 4,8% ao ano) ou até mais nesses títulos.

Considerando uma tributação de IR em uma aplicação de até 180 dias, pela alíquota mais alta de 22,5%, o rendimento seria de 77% do CDI, ou de 3,69% ao ano. Na caderneta, o rendimento, que equivale 70% da Selic, o retorno seria de 3,50% ao ano. Ou seja, esses papeis diários conseguem proporcionar uma liquidez e uma remuneração mais interessantes do que as da caderneta.

Vale destacar, no entanto, que nas aplicações com prazo inferior a 30 dias  incide a cobrança também do IOF, quando a vantagem da rentabilidade nesses papeis pode desaparecer. O IOF é de 96% nas aplicações de apenas um dia e vai regredindo até chegar a 3% para as de 29 dias.

Outro ponto: nos grandes bancos, a situação pode mudar e o atrativo dos papeis de liquidez diária evaporar, porque o seu rendimento tende a cair para algo entre 75% e 85% do CDI.

Na opinião de Saads, a nova realidade de mercado impõe ao investidor a necessidade de avaliar com precisão a questão da liquidez nos investimentos. “Tradicionalmente, o brasileiro acaba colocando em aplicações de curto prazo um volume muito maior daquele que precisa realmente de liquidez”.

Mais do que nunca, a calibragem tem de ser ajustada entre o dinheiro que pode ficar engessado por um período maior, em busca de rendimento mais alto, daquele que precisa estar mais à mão para pagamentos regulares.

“Orientamos os clientes a manter somente os recursos que serão necessários num prazo de um, dois, ou três meses para os papeis com liquidez diária”, explica o especialista. O objetivo é deixar esse dinheiro livre para retirada no próprio dia ou no dia seguinte ao da solicitação, de modo a permitir o pagamento das contas no vencimento, sem acréscimos de multa e juros que podem acabar corroendo parte do rendimento obtido na aplicação.

Mas deixar o capital que não necessita de liquidez em aplicações de curto prazo é perder dinheiro. “Se a aplicação pode ser feita por seis meses, por exemplo, há opções mais rentáveis e nós mostramos isso ao cliente. Com os juros baixos, essa liquidez está custando mais caro hoje”, afirma Saads.

Dito ainda de outra forma, o dinheiro que pode ser empregado por prazos dilatados, e fica aplicado por pouco tempo, deixa de ganhar uma remuneração mais encorpada. Critérios que precisam ser reforçados e considerados daqui para frente no gerenciamento mais eficiente do patrimônio.

A cultura de resistência em amarrar o dinheiro a títulos de muitos anos pode estar ligada ao receio de precisar usá-lo de uma hora para outra. Para deixar o investidor mais confortável na hora de embarcar em aplicações de prazos mais longos, a XP criou um mercado secundário de negociação para os papeis de renda fixa. Nele, o aplicador que precisar do dinheiro no meio do caminho poderá negociá-lo, mediante um deságio no rendimento. “No resgate antecipado, o rendimento não será o contratado, haverá um desconto para que o negócio seja atraente a quem recomprar o papel.”

No caso, o interessante é que ao saber que poderá ter acesso ao dinheiro no momento em que precisar o aplicador terá mais tranquilidade de fechar uma aplicação de prazo mais longo. Nesse mercado secundário poderão ser negociados não apenas CDB, mas outros ativos, como Letras de Câmbio, Letras do Crédito Imobiliário, debêntures entre outros. Inclusive papeis que estão custodiados (guardados) em outros bancos.

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