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há 2 dias por Regina Pitoscia

O que saber sobre o rotativo do cartão de crédito

Daqui para a frente, quem usar o cartão de crédito e financiar as despesas pelo crédito rotativo terá de se habituar a acompanhar e verificar três tipos de juro: o do rotativo regular, o do rotativo não regular e o do migrado parcelado. Isso porque o Banco Central passou a divulgar as taxas definidas dentro das três modalidades, em função das mudanças que ocorreram nesse segmento desde o dia 3 de abril deste ano.

Como era

Só relembrando: até essa data, o consumidor que não tinha condições de pagar o valor integral da fatura do cartão na data de seu vencimento ficava obrigado a pagar, no mínimo, 15% do total. O restante poderia ser financiado para os meses seguintes, indefinidamente, e pelas taxas mais salgadas do mercado. A cada vencimento, no entanto, tinha de desembolsar, pelo menos, os 15% da fatura.  Mecanismo cruel, que transformava a dívida em bola de neve, levando muita gente ao superendividamento. É que a amortização da dívida era rapidamente engolida pela taxa de juro, com o saldo devedor crescendo a cada mês.

Como ficou

Já para as despesas feitas a partir de 3 de abril, com fatura paga desde o dia 3 de maio, os critérios são outros. No dia de vencimento da fatura, o consumidor permanece obrigado a pagar a parcela mínima de 15% do saldo devedor e o que restar será, agora, financiado pelos juros do rotativo regular.

Regular

Segundo o Banco Central, em abril as taxas médias cobradas nessa linha ficaram em 296% ao ano ou 12,15% ao mês. Níveis abaixo dos que vinham sendo praticados em março, no rotativo tradicional, de 431% ao ano ou 14,93% ao mês. De todo modo, ainda elevados para quem não quer ficar pagando juros a vida toda.

Só que esse financiamento, o rotativo regular, poderá ser feito por apenas 30 dias, até o vencimento da fatura seguinte, quando o consumidor terá duas opções: quitar o total do saldo ou renegociar a dívida em outras condições, pagando um número pré-determinado de parcelas e com valores fixos, dentro do chamado migrado parcelado.

Renegociação

Ainda de acordo com o BC, nessa modalidade de crédito, a média das taxas ficou em 151,2% ao ano ou 7,98% ao mês. O valor referente a essa dívida deverá ser pago dentro do prazo e valores previamente acordados. O usuário até pode continuar gastando com o cartão, mas não convém insistir nessa forma de pagamento. Se teve de renegociar é porque já não vinha tendo condições de manter em dia o compromisso.

Rotativo não regular

Já o consumidor que não conseguiu pagar nem o valor mínimo de 15% da dívida terá de bancar uma taxa bem mais salgada, que ficou na média em 524% ao ano ou 16,48% ao mês, dentro do rotativo não regular. O financiamento também é feito por 30 dias e, depois disso, é renegociado pelo migrado parcelado.

Considerações

Trocam-se os nomes das linhas de crédito, as estatísticas são outras, mas o fato é que o peso dos juros continua absurdo para o consumidor, especialmente para quem teve perda de renda,  desemprego ou, como tantos outros, sofre com  a recessão, a crise do País. É possível prever que as novas regras interrompem o crescimento incontrolável do saldo devedor do cartão, porque obriga o consumidor a pagar a dívida em 30 dias ou acertar outra forma de pagamento com juros mais baixos.

Isso pode até dar certo fôlego para o orçamento, mas a regra de ouro para o uso consciente do cartão é liquidar o total dos gastos no dia de vencimento da fatura. Portanto, faça despesas que depois possam caber de forma confortável em seu bolso.

Outra saída adequada é procurar por linhas de crédito mais baratas, como o consignado, que está com juros médios em torno de 28% ao ano para aposentados, 26% ao ano para servidores públicos, em torno de 40% ao ano para empregados do setor privado, ou até mesmo o crédito pessoal, com juros médios de 80% ao ano. Níveis mais baixos que qualquer linha do rotativo.

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