home > Aplicações > Inflação pode engolir o rendimento da caderneta

há 2 dias por Regina Pitoscia

Inflação pode engolir o rendimento da caderneta

Com um rendimento de 0,37% ao mês, o que equivale a 4,55% ao ano, a caderneta não deixa o investidor confortável diante da perspectiva de uma provável inflação mais encorpada nesses meses.

Os números oficiais de elevação de preços na economia em junho, detectados na apuração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a serem divulgados nesta semana, são estimados pelo mercado financeiro acima de 1%. Isso significa que a caderneta terá pago uma rentabilidade negativa no mês passado.

Outro índice de inflação, o IGP-M, que reflete a variação de preços no atacado, ficou em 1,87% em junho, comprovando essa tendência de aceleração de alta. Consequência ainda da greve dos caminhoneiros, com aumento expressivo nos preços dos combustíveis, o que desencadeia o encarecimento de uma série de outros produtos, especialmente dos alimentos. Aliado a isso, a elevação nas cotações do dólar também exerce pressão sobre preços dos produtos importados.

Em julho, pelo menos parte do avanço de preços no atacado deverá ainda migrar para os índices que medem a inflação mais popular, no IPCA. Há que se considerar também a energia elétrica mais cara e a continuidade da escalada do dólar. A projeção atual para o mês, estampada no Boletim Focus do Banco Central, está em 0,35%.

Nesse momento em que a instabilidade nos mercados, por razões domésticas ou internacionais, leva o investidor a priorizar mais a segurança e a liquidez (possibilidade de resgate do dinheiro) do que a rentabilidade, o aplicador não tem muito para onde correr. Com o juro básico da economia em 6,50% ao ano norteando o desempenho das aplicações em renda fixa, papeis e fundos, o rendimento a ser alcançado não chega a ser diferente dos 0,37% pagos pela poupança.

O momento parece ser buscar um porto seguro para o dinheiro, ainda que a rentabilidade possa ser negativa.

Saldo positivo

Dados do Banco Central divulgados na semana passada mostram que entrou mais dinheiro do que saiu da caderneta de poupança no mês de junho. A chamada captação líquida (volume de depósitos acima de saques) foi de R$ 5,6 bilhões.

No primeiro semestre do ano, os dados continuam sendo positivos em cerca de R$ 7,4 bilhões. O que pode ser considerada uma reação, em relação a períodos anteriores, em que a recessão, o desemprego e a perda de renda empurravam o investidor a saques da poupança para a complementação da renda mensal. Só para comparar, nos primeiros seis meses de 2017 a poupança registrou saldo negativo (resgates superiores aos depósitos) de R$ 12,290 bilhões.

Prazo mais longo

Para quem sabe que poderá deixar o dinheiro imobilizado por um período mais longo, dois anos ou mais, há opções mais rentáveis e igualmente seguras na renda fixa.

Na plataforma de investimentos da Rico Corretora, é possível fazer simulações e comparar o rendimento da poupança com outras aplicações em títulos de renda fixa. Para uma aplicação de R$ 10 mil por um prazo de 3 anos, por exemplo, é possível saber que a caderneta vai pagar R$ 1.428,50 de remuneração; um Título do Tesouro IPCA/2035, de R$ 2.180,33; um Título do Tesouro IPCA/2024, de R$ 2.237,99; e um Título do Tesouro prefixado/2025, de R$ 3.057,09.

Essa comparação é feita pelo retorno líquido, depois do desconto de imposto de renda nos títulos. A diferença é expressiva e precisa ser considerada pelo aplicador que tiver condições de deixar o dinheiro aplicado por prazos mais elásticos.

Por um ano

Mesmo para períodos mais curtos, de um ano, há opções em papeis de banco, nos Certificados de Depósito Bancário (CDB), que podem pagar mais que a caderneta.

Na mesma plataforma da Rio são oferecidos papeis nessas condições. Enquanto a caderneta deve pagar R$ 455,00 em um ano, um CDB do banco Sofisa pagará R$ 576,24; do banco Topázio, R$ 592,65; e do banco Pan, R$ 598,13.

Aplicações nesses papeis contam a segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para valores de até R$ 250 mil, por CPF de aplicador e por instituição financeira. Quer dizer, se diluir por três ou quatro bancos a aplicação, o investidor terá o retorno da aplicação, mesmo que um banco venha a ter problemas financeiros. Mas existe um outro limite, o de R$ 1 milhão para o total das aplicações de um único investidor. Quem tiver volumes acima disso, deve procurar dividir a aplicação em nome de marido, mulher, filhos, enfim pessoas de confiança para que o dinheiro permaneça protegido pelo FGC.

 

Compartilhe:

0 Comentário

Comentar como anônimo

Mais lidos em #Aplicações

Relacionados

Relacionados

Outras categorias:

Assim você busca por assunto,
aquilo que mais interessa.

E aqui a gente separou o que é mais acessado:

Mas se quiser receber nossos artigos
por e-mail, cadastre-se: