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há 2 dias por Regina Pitoscia

Pais atrasarão contas para comprar presentes dos filhos

Nada menos de 60 milhões de brasileiros estão com pelo menos uma conta em atraso e nome sujo na praça. Isso representa 40% da população com idade entre 18 e 95 anos. Os números de novembro sobre a inadimplência, apurados pelo Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, ficaram praticamente nos mesmos níveis do mês anterior.

No entanto, “mesmo com a estabilidade, a cifra ainda é bastante elevada”, afirma o presidente do SPC-Brasil, Roque Pellizaro. Segundo ele, “para as empresas, o cenário implica a perda de potenciais compradores; para os consumidores, implica restrição ao crédito”.

A faixa etária com maior número de consumidores negativados é entre 30 e 39 anos. E a Sudeste é a região que concentra a maior quantidade de devedores, com mais de 24 milhões de consumidores.

Para Pellizaro, a mudança desse quadro passa pela efetiva melhora das condições econômicas e, em especial, pela redução da taxa de desempregos. “ Nos últimos meses, a economia brasileira iniciou um processo de recuperação. A atividade avançou por três meses consecutivos e a inflação e os juros recuaram”, argumenta.

A economista-chefe do SPC-Brasil, Marcela Kawauti, que acompanha de perto o comportamento do consumidor e suas finanças, explica que “desde o início de 2016, a quantidade de dívidas em atraso desacelera de forma mais intensa do que o número de devedores negativados”.  Em seu entendimento, “isso quer dizer que o consumidor inadimplente tem iniciado o pagamento de dívidas em atraso aos poucos. Além disso, a tomada de novos empréstimos diminuiu significativamente”, diz ela.

Atraso nas contas

Mas se há uma maior compreensão do cenário de dificuldades financeiras e uma tentativa de sair das dívidas, nem todos estão trilhando esse mesmo caminho. Outra pesquisa também do Serviço de Proteção ao Crédito revelou que 11% dos pais que pretendem presentear no Natal irão atrasar suas contas para atender aos desejos dos filhos.

Mesmo já sabendo que o dinheiro será curto e será impossível cobrir as despesas, consumidores admitem que vão comprar brinquedos e outros produtos pedidos pelos filhos. Do total de entrevistados, 7% vão atrasar o pagamento do cartão de crédito, 3% dos impostos de início de ano e 2% das contas básicas de água e luz.

Uma atitude que parece equivocada do ponto de vista financeiro, já que os juros do rotativo do cartão de crédito giram em torno de 10%, e a falta de pagamento de impostos e demais contas, além dos acréscimos cobrados, pode trazer consequências como o corte de fornecimento dos serviços básicos. E também do ponto de vista educacional, já que é salutar ter transparência com os pequenos em relação aos temas relacionados a dinheiro. Vale a pena explicar as razões que impedem a compra do item desejado.

De acordo com o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, muitos pais e mães acabam se complicando porque querem evitar que o filho passe por frustrações. “É fundamental que eles deem presentes que estejam de acordo com as posses da família e sua realidade financeira”, afirma. “Do contrário, estarão transmitindo a mensagem de que é normal comprometer o orçamento da casa e deixar de honrar os compromissos assumidos para satisfazer seus impulsos de consumo”, arremata.

Para minimizar a situação, o educador recomenda que os filhos façam uma lista de presentes com opções variadas de preços, tamanhos e marca, dando aos pais a liberdade de escolher uma das opções sugeridas.

 

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