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há 2 dias por Regina Pitoscia

Para melhor controle de dívidas do cartão, conheça as regras do BC

Você sabe que regras estão valendo para o financiamento de seus gastos no cartão de crédito, pelo rotativo? Tem gente que não sabe nem quais foram os seus gastos no mês passado ou, por consequência, se haverá condições de pagá-los no vencimento do cartão.

Por cobrar uma das taxas mais altas do mercado, quem pretende administrar de modo eficaz suas contas no cartão precisa conhecer a legislação determinada pelo Banco Central para o setor e checar o que vem sendo feito pelo banco.

Rotativo só por 30 dias

Desde março de 2017, as despesas feitas em determinado mês poderão serão quitadas de duas formas: pagamento integral no próximo vencimento de sua fatura, ou ser reduzidas pelo porcentual mínimo exigido pelo banco, em geral em 15% do total. No caso do pagamento mínimo, o restante da dívida tem de ser financiado pelo crédito rotativo, mas somente por mais 30 dias.

Ao término desse prazo, esse saldo deve ser quitado totalmente ou parcelado dentro das novas condições do cartão: supostamente a taxas mais baixas que as do rotativo, parcelas fixas e prazos mais elásticos, de até 24 meses.

A medida foi imposta pelo BC no sentido de evitar que a dívida virasse rapidamente uma bola de neve, em função dos altos juros cobrados sobre o saldo devedor. Muitas vezes o pagamento mínimo é inteiramente engolido pelo acréscimo dos juros.

O risco, no caso, é o de o consumidor perder o controle e a cada mês ser obrigado a assumir um novo parcelamento, porque não conseguiu se livrar do rotativo. Quer dizer, por não ter conseguido liquidar o saldo devedor depois de 30 dias após o vencimento da fatura.

Para barrar um festival de parcelamentos, a primeira providência é estancar os gastos com o cartão e promover um corte radical nas despesas. Ao mesmo tempo, ao perceber que não terá condições de liquidar o saldo devedor no vencimento da fatura, convém procurar levantar um financiamento mais barato, seja no crédito pessoal ou no consignado para zerar essa dívida. Essas duas linhas de crédito oferecem taxas mais leves que o novo parcelamento do cartão.

A possibilidade de aceitar o parcelamento a ser oferecido automaticamente pelo banco, deve ser considerada, mas o ideal é tentar fazê-lo em número de meses o mais reduzido possível. Embora as taxas sejam mais baixas do que as do rotativo, quanto maior o prazo do financiamento, mais pesado será o custo final do financiamento.

Procure sempre se informar sobre as taxas cobradas no parcelamento para poder compará-las às de outras linhas de crédito e identificar a mais conveniente. Essas taxas não estão lá muito mais vantajosas do que as do rotativo, entre 10% e 11% ao mês, e têm girado entre 8% e 9% ao mês.

Taxas unificadas no rotativo

O BC também criou duas modalidades de rotativo, conforme o pagamento efetuado. O rotativo regular é aquele em que o consumidor paga, pelo menos, o mínimo exigido no dia de vencimento do cartão; e o rotativo não regular é aquele em que o usuário não consegue fazer pagamento nenhum da fatura. Em ambos os casos, a dívida é rolada por 30 dias no rotativo e após isso terá de ser quitada de uma só vez ou, compulsoriamente, será parcelada, com prestações e juros prefixados, dentro de uma linha denominada parcelado migrado.

Os bancos vinham cobrando juros diferenciados para as respectivas modalidades, sendo que as do rotativo não regular eram mais altas. Desde junho do ano passado, as taxas devem ser as mesmas para os dois tipos de rotativo, tomando como base a mais baixa. Ficou liberada a cobrança de acréscimos por atraso para o rotativo não regular, uma vez que não houve pagamento mínimo da fatura.

Ao promover a unificação, a expectativa do BC era de que houvesse um recuo dos juros, para os níveis do rotativo regular. Na prática, isso nem sempre acontece, veja tabela abaixo.

Além dessa medida, os bancos ficaram autorizados a fixar a parcela mínima a cada mês, ainda assim, a maioria deles manteve essa parcela em 15% do total devido.

Juros continuam altos

Ainda que tenha havido todo esse movimento da autoridade monetária no sentido de tornar a linha de crédito do cartão mais barata ao consumidor, os juros continuam proibitivos. E os riscos de a dívida sair do controle continuam.

Confira as taxas cobradas pelos cinco maiores bancos do País tanto no rotativo regular como no não regular do cartão de crédito, no período de 4 a 10 de janeiro deste ano.

                                                             Taxas ao mês

Banco                                   Rotativo regular                        Rotativo não regular

Itaú                                                 8,76%                                                   10,70%

Banco do Brasil                             8,91%                                                    9,99%

Caixa                                             10,89%                                                   11,10%

Santander                                    11,04%                                                    11,57%

Bradesco                                      11,13%                                                     11,09%

Fonte: Banco Central

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