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há 2 dias por Regina Pitoscia

Por que é tão difícil falar sobre dinheiro?

A conversa sobre dinheiro com toda a família é boa iniciativa para evitar o descontrole do orçamento. É importante que todos estejam alinhados em relação às possibilidades financeiras, inclusive as crianças. Dessa forma, será mais fácil cortar algumas despesas, reduzir outras, mudar hábitos de consumo, sempre que necessário. Será mais fácil também alcançar objetivos traçados.

O que deveria ser algo simples e corriqueiro ainda é tabu entre os brasileiros. Por que é tão difícil falar quanto ganha para amigos, parentes ou dentro da própria casa? Uma pesquisa recente feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) comprovou isso; apenas 44% dos entrevistados falam com frequência sobre dinheiro com o núcleo de sua família; 39% só entram nesse assunto quando a situação financeira não vai bem e a questão já virou um problema; 18% nunca falam sobre orçamento com os familiares.

Para entender por que a dificuldade de conversar sobre finanças pode levar ao descontrole do dinheiro e a dívidas, basta lembrar que “famílias são grupos complexos, pois cada indivíduo pode ter necessidades, gostos e hábitos diferentes”, diz o educador financeiro José Vignoli. “Quando não há diálogo, a tendência é que surjam divergências e despesas que extrapolam o orçamento”, complementa.

Nesse sentido, esse levantamento feito com 805 consumidores, de 27 capitais, de diferentes classes sociais, revelou que 57% deles admitem que há participantes da família, com quem mora, que prejudicam o orçamento; 48% dos casais brigam por causa de dinheiro. As pessoas que mais criam problemas para a gestão das finanças da casa são: 20% são o próprio entrevistado; 15%, o cônjuge; 12%, os filhos. Ou seja, a falta de transparência sobre as finanças pode gerar problemas de relacionamento, além do desequilíbrio das contas.

Quem manda?

A pesquisa também descobriu que em boa parte das casas não há uma divisão para o pagamento de contas entre os participantes da família. Em 33% dos casos apenas um morador é responsável por todas as despesas da residência. Para 20%, são divididas igualmente entre os que possuem renda e para 17% os compromissos são divididos de acordo com o salário de cada um.

Na hora de decidir o que comprar a decisão é mais democrática, porque 52% disseram que todos opinam; e 23%, que a decisão final cabe a apenas um morador ou, então, que cada pessoa gasta conforme sua própria necessidade. E para 25% dos participantes da pesquisa, nunca há sobras no orçamento e a prioridade para o emprego do dinheiro são contas e compromissos fundamentais. Em 20% dos casos, quando há sobras, os recursos ficam guardados para gastos do mês seguinte.

Casais

O tema passa a ser bem delicado quando discutido entre casais. Os principais motivos para o conflito estão relacionados ao fato de o companheiro gastar além das condições financeiras (46%); à discordância entre prioridade de gastos dentro de casa (32%); ao atraso no pagamento das contas (28%). Outros motivos foram apontados como dificuldade em formar uma reserva financeira, gastando tudo o que se ganha, e a rigidez do cônjuge no controle dos gastos (21%).

Como ressalta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, “viver de forma saudável com outra pessoa requer compartilhar sonhos, expectativas e planos diversos sem, necessariamente, abrir mão de certo grau de individualidade”.  Uma tarefa que tem lá suas complexidades, por isso, “cada casal deve encontrar o melhor arranjo para sua realidade sobre os gastos pessoais e da família, com maior ou menor grau de possibilidade de abertura, arremata a economista.

 

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