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há 2 dias por Regina Pitoscia

Por que a inflação está tão baixa? Governo terá de se explicar

Pela primeira vez o governo terá de se explicar por que a inflação está tão baixa. A inflação oficial de novembro, medida pelo IPCA, ficou em 0,28%.  Abaixo das projeções de mercado, que estavam em 0,38%, abaixo da prévia de comportamento dos preços capturada pelo IPCA-15, que ficou em 0,32%, e bem abaixo do IPCA de outubro, que ficou em 0,42%. Em um movimento claro de desaceleração dos preços.

Assim, a inflação acumulada em 12 meses está em 2,8%, e de janeiro a novembro deste ano, em 2,5%. Com grandes possibilidades de fechar o ano abaixo de 3%. O que não deixa de ser uma boa notícia para o bolso. Afinal, a queda do poder aquisitivo do dinheiro terá sido nessa mesma proporção.

A questão é que, a cada ano, as autoridades econômicas fixam os objetivos a serem alcançados com a inflação. Neste ano, a meta é de 4,5%, com tolerância de variação de um ponto e meio para cima ou para baixo. Quer dizer, ela teria de ser de 3%, no mínimo, e de 6%, no máximo. Dependendo do que vier a ser a de dezembro, a inflação do ano pode ser menor do que o piso.

Pela legislação, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, terá de esclarecer o que aconteceu. Basta que o IPCA deste mês fique abaixo de 0,49% para isso se concretizar. Trata-se de um procedimento previsto na legislação, porque a queda da inflação é saudável para a economia: permite o planejamento financeiro e estimula a produção, a criação de empregos e a geração de renda.

Esses resultados foram alcançados com o sucesso da execução da política monetária, a principal conquista do governo do presidente Michel Temer.

Quando Temer foi efetivado no cargo com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, no fim de agosto de 2016, a inflação projetada para aquele ano estava em 7,34%, para uma taxa básica de juros (Selic) que rodava em 14,25% ao ano.

Neste fim de 2017, a situação em termos de fundamentos econômicos é bem diferente. A taxa Selic está em 7% ao ano, nova mínima histórica desde a adoção do regime de metas de inflação, em junho de 1999. E uma inflação projetada que pode ser a metade da que foi registrada em 2016, de 6,29%.

Juros no controle dos preços

O Banco Central usa os juros como a principal ferramenta para controlar a inflação. Quando a inflação está em alta os juros sobem, o crédito fica mais caro para conter o consumo e, portanto, os preços. Já quando ela está em baixa, os juros caem, para aquecer a produção e fazer a economia andar.

A calibragem dos juros, no entanto, explica apenas em parte o sucesso da política de combate à inflação. Não como questionar que em boa parte pode ser atribuída à credibilidade da equipe econômica, principalmente perante o mercado financeiro, desde a escolha dos nomes até a política monetária adotada.

O combate à inflação comandado por Henrique Meirelles, no Ministério da Fazenda, e por Ilan Goldfajn, no Banco Central, não começou com um choque nos juros, que já estavam bastante altos – Selic em 14,25%. Foi iniciado pela correção dos preços administrados, como os de energia elétrica e combustíveis, principalmente, que em função de uma política populista foram mantidos artificialmente baixos na gestão de Dilma Rousseff . Mas que depois estouraram e levaram a inflação à casa de dois dígitos.

Essa política de transparência e realismo tarifário, embora tenha pressionado momentaneamente a inflação para cima, rendeu credibilidade à equipe econômica. Isso permitiu ao governo iniciar uma consistente queda dos juros. A um corte de 0,25 ponto porcentual seguiram-se outros, cada vez maiores, que derrubou a Selic agora ao seu menor nível.

Uma trajetória cadente de inflação e juros sem maiores percalços, sustentada pelo que no jargão econômico é chamada de ancoragem de expectativas. Por ela, o BC toma as decisões sobre juros e segue nos movimentos futuros a sinalização dada ao mercado financeiro por meio de notas e comunicados. Uma política em que a preocupação é evitar surpresas que redundem em sustos ou sobressaltos aos agentes financeiros e econômicos.

Recessão

O ambiente de recessão econômica,  que durou três anos, também ajudou a derrubar a inflação. Com menos emprego e dinheiro, as pessoas reduziram o consumo e inibiram a alta de preços de produtos e serviços.

Mais que efeito dos juros altos, porém, é quase consensual a avaliação de que a fraqueza econômica foi consequência das trapalhadas e da má gestão do governo de Dilma.

Quem foi beneficiado de imediato com a redução dos juros foi o próprio governo, já que a maior parte dos títulos da dívida pública emitidos pelo Tesouro está atrelada à variação da Selic. Quanto mais baixa a taxa básica, menor o custo de financiamento da dívida no mercado financeiro.

O consumidor também passou a ter sua recompensa com a inflação mais baixa, refletida no aumento do poder de compra da moeda, menos exposta aos efeitos corrosivos da alta de preços.

 

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