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há 2 dias por Regina Pitoscia

Primeiros lances da disputa eleitoral influenciam o mercado financeiro

São apenas os primeiros lances da corrida eleitoral e seus efeitos restritos, por enquanto, ao mercado de renda variável. Mas o comportamento dos segmentos de ações e de dólar nos últimos dias serve de amostra preliminar da influência de expectativas políticas sobre as decisões de investimento no mercado financeiro.

A expectativa positiva gerada pelo apoio dos partidos que formam o chamado Centrão ao pré-candidato presidencial Geraldo Alckmin (PSDB), para a disputa das eleições em outubro, mudou o humor do mercado: a bolsa de valores reagiu com valorização e o dólar com queda.

A mudança no ânimo dos investidores influenciou também o desempenho desses segmentos do mercado financeiro no mês. Faltando apenas dois dias para o término de julho, a Bolsa de Valores de São Paulo acumula valorização de 9,76% e o dólar, baixa de 4,10%.

A aliança do Centrão, formado por cinco partidos – Partido Popular (PP), Partido Republicano (PR), Democratas (DEM), Partido Republicano Brasileiro (PRB) e Solidariedade (SD) -, com o PSDB para a disputa da eleição presidencial deu alento aos investidores que veem a agenda de  reformas econômicas e de reequilíbrio das contas públicas, que o candidato tucano Geraldo Alckmin personificaria, como condição necessária para a retomada sustentada do crescimento econômico.

A ideia é que, em um primeiro momento, a coligação entre o Centrão e o PSDB, formalizada esta semana, fortaleceria a possibilidade de que o candidato tucano, com tempo de propaganda ampliado no rádio e na televisão, teria mais chances de chegar ao segundo turno das eleições.

Visto como o candidato mais alinhado com as propostas econômicas defendidas pelo mercado, a expectativa é que o pré-candidato Alckmin, se vitorioso, formaria uma equipe e política econômica com medidas voltadas às grandes reformas e ao saneamento das contas públicas capazes de conter o crescimento considerado explosivo da dívida pública.

A aliança  do Centrão com o PSDB, de todo modo, é apenas o pontapé inicial da corrida presidencial, que terá ainda novos lances, como a formação de outras coligações partidárias e a definição de candidatos a vice-presidentes, articulações que desenharão contornos mais claros do papel de quem é quem na disputa presidencial.

Uma aliança que fortaleça o candidato de um partido mais amigável às medidas defendidas pelo mercado tende a dar fôlego à valorização das ações e deprimir o dólar; ao  contrário, se a perspectiva for de fortalecimento de um candidato avesso ao que o mercado acalenta, a tendência seria de alta do dólar.

É nesse ambiente que deverão reagir os mercados, seguindo uma toada em que se o favoritismo apontado pelas pesquisas pender para um candidato alinhado com o mercado a bolsa tenderia a subir e o dólar a cair; se as pesquisas indicarem chances para um candidato com ideias que colidem com as do mercado, a bolsa tenderia a cair e o dólar a subir.

É uma movimentação esperada, portanto,  principalmente para os momentos que se seguirão à divulgação de dados de pesquisas eleitorais, o que sugere o aumento de instabilidade e bruscas oscilações nos mercados daqui para a frente.

A perspectiva de maior instabilidade, o que sugere bruscas oscilações de preços e cotações, eleva o risco nos mercados, principalmente de renda variável, como ações e dólar.

Um cenário em que tende a ser bem-sucedido apenas os investidores mais familiarizados com os mercados que, nessas condições, tiram proveito das oscilações de preço para realizar rápidas operações de compra e venda.

São operações desse tipo as que predominam no momento no mercado de ações e, por isso, altas ou baixas estão longe de indicar uma tendência de médio ou longo prazo para a bolsa de valores.

Estiveram no foco dessas operações esta semana as ações de empresas exportadoras de commodities, mineral e agrícola, e as do setor bancário.

 

 

 

 

 

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