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há 2 dias por Regina Pitoscia

Recorde na inadimplência com 63 milhões de negativados

O País bateu mais um triste recorde, o de inadimplentes que tiveram seus nomes negativados nos serviços de proteção ao crédito. São 63 milhões de consumidores nessa triste condição, pela última pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Nem sempre é possível ter uma dimensão do que significam os grandes números, mas basta dizer que esse contingente é maior do que toda a população de países como a Itália (60 milhões), ou dos vizinhos como Colômbia (50 milhões) e Argentina (44 milhões).

Tamanho despropósito reflete a economia ainda anêmica, o desemprego também em níveis elevados, as dificuldades em aumentar a renda para pagar as dívidas, os juros altos aplicados às dívidas. Se antes era quase um “pecado” deixar de honrar os compromissos e ficar com o nome sujo na praça, o brasileiro se viu impossibilitado em manter essa cultura e teve de aprender a lidar com a negativação como algo mais comum. O mais difícil está sendo mesmo colocar a casa em ordem.

E o mais indicado para limpar de fato o nome é procurar o credor e fazer um acordo para a liquidação do compromisso. Muitos consumidores inadimplentes acreditam que depois de 5 anos, com a prescrição da dívida, ficarão livres do pagamento. Não é bem assim. Depois de 5 anos, o nome desaparece dos registros e das listas de maus pagadores, como as do SPC, Serasa Experian, ou Boa Vista.

Só que a dívida permanece, sendo que o credor pode a qualquer momento tentar reaver o dinheiro na Justiça. Portanto, as restrições para levantar um financiamento vão continuar na instituição financeira em questão. Além do que, a pendência vai influenciar no tal “score de crédito”, um histórico de pagamento do consumidor, também elaborado pelos escritórios de proteção ao crédito.

A pesquisa

Levantamento da CNDL e SPC revelou que em agosto o volume de consumidores com contas em atraso subiu 3,63% em todo o País, alcançando algo perto de 62,9 milhões de pessoas, com restrições ao CPF. Situação impeditiva para levantar novos empréstimos, fazer um simples crediário no varejo ou conseguir alugar um imóvel.

Por região e idade

O avanço da inadimplência foi maior na região Sudeste, de 10,52%, mas é a região Norte que concentra o maior número de devedores, proporcionalmente ao total de sua população, com 49% de sua população adulta negativada, o que representa 5,9 milhões de consumidores.

Na segunda posição vem a região Nordeste com 43% dos adultos ou 17,4 milhões de pessoas com restrição ao crédito. No Centro-Oeste são 5 milhões de inadimplentes ou 42% da população adulta; no Sudeste há 26,1 milhões de negativados ou 39% dos residentes com mais de 18 anos; e no Sul, são cerca de 8,5 milhões de adultos com pendências financeiras.

O estudo mostrou também que o crescimento mais acentuado da inadimplência foi detectado entre a população com mais idade. Na comparação com agosto do ano passado, houve aumento de 9,56% no total de devedores com idade de 65 a 84 anos. A inadimplência apresentou queda somente entre os mais jovens. Considerando a população de faixa etária de 18 a 24 anos, houve um recuo expressivo, de 23,20%. Entre os consumidores de 25 a 29 anos, a queda foi de 5,63%.

Em números absolutos, no entanto, a maior parte dos inadimplentes está compreendida na faixa dos 30 aos 39 anos, porque são quase 18 milhões de pessoas que nesse momento da vida não conseguem honrar seus compromissos financeiros.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizaro, o comportamento distinto entre as faixas de idade é reflexo da entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho e também da permanência prolongada dos idosos como força produtiva do país. “Fora do mercado de trabalho pelas mais diversas razões, seja estudo, desemprego ou opção mesmo, muitos desses brasileiros mais jovens acabam ficando também fora do mercado de crédito”. Daí o número menor de devedores nesse universo.

“Entre os idosos, que permanecem mais tempo no mercado de trabalho, a renda mais curta nessa etapa da vida e aumento dos gastos com saúde, podem desajustar o orçamento”, analisa Pellizaro.

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, “a recuperação econômica mais lenta do que o esperado cria dificuldades para a gestão do orçamento das famílias, frustrando planos e a volta ao consumo”. Em sua opinião, a reversão desse quadro passa por uma aceleração da atividade econômica, em especial, do emprego e da renda.

 

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