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há 2 dias por Regina Pitoscia

Saiba como são os acordos entre credor e devedor

“Fugir ou se esconder do credor não fará com que a dívida desapareça”. Essa frase é da economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito SPC-Brasil, Marcela Kawauti, ao orientar o consumidor a colocar suas contas em dia. Para ela, o melhor caminho para quem está endividado é se planejar, negociar e procurar prazos e condições de pagamento realistas que caibam no orçamento.

Essa pode ser uma das lições de muita utilidade, trazida pela crise financeira que o País vem atravessando. A postura do devedor deve ser, antes de mais nada, de reconhecimento do problema para, então enfrentá-lo. Não sem antes fazer uma radiografia da sua situação. Quanto deve, para quem deve, quais os compromissos que estão entre as prioridades para acerto. Em que bases vai renegociar, quanto poderá pagar, sem cair no atoleiro novamente.

Os resultados de pesquisa realizada pelo SPC em todas as capitais brasileiras, nos últimos 12 meses, com consumidores endividados mostram como estão acontecendo as negociações e podem servir de parâmetro para quem se encontra na mesma situação.

O estudo revela que a principal estratégia usada pelos entrevistados para regularizar as contas em atraso é o acordo com o credor: opção apontada por 36% da amostra. O segundo recurso mais utilizado, apontado por 24% dos participantes, é a economia de gastos ou cortes no orçamento, seguido da geração renda extra, com 18%.

A pesquisa aponta que 72% dos entrevistados tentaram renegociar as dívidas após terem o CPF negativado, sendo que 45% tiveram a iniciativa de propor um acordo direto ao credor, enquanto 27% foram procurados pela empresa com ofertas de acerto de contas. Outros 24% não arriscaram uma tentativa de acordo, por falta de tempo (15%) ou por não saberem como fazer (8%), mas em ambos os casos estavam disposição de participar de uma negociação dos débitos.

Por telefone

Sobre os canais de renegociação, o levantamento descobriu que o telefone é o meio mais utilizado para renegociar uma dívida. Especialmente as ligadas a atrasos na fatura do cartão de crédito (55%), TV por assinatura (55%), financiamento de automóveis (53%) e contas de telefone (49%).

Já nas questões sobre atrasos nas mensalidades (33%) escolares e empréstimos (31%), a conversa pessoal foi a mais apontada. O uso do e-mail ganhou algum destaque, citado por 20% de contas a serviços de internet e 18% em TV por assinatura.

A tecnologia na renegociação

Outro dado revelador é que as ferramentas digitais vêm conquistando espaço nas renegociações de dívidas. No total, 29% dos inadimplentes que renegociaram seus débitos se valeram da algum canal online: 43% iniciaram e finalizaram a negociação apenas com o uso de plataformas digitais, sem a intervenção de outro meio tradicional.

Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, a abordagem pessoal ou os canais telefônicos são modelos mais consolidados e oferecem liberdade para que credor e devedor possam buscar acordos fora de roteiros pré-estabelecidos, considerando as possibilidades de cada um. “Mas os meios digitais de renegociação são alternativas que vêm ganhando espaço e devem tomar protagonismo ainda maior daqui em diante”, afirma ele.

Na opinião dos entrevistados que utilizaram as plataformas digitais de renegociação de dívida, a principal vantagem desse recurso é poder fazer simulações do número de parcelas e valores que melhor atendem às necessidades. Essa vantagem foi citada por 25% deles. A agilidade e o fato de não precisarem entrar em filas foram apontados por 23%, e a facilidade por não ter deslocamentos foi indicada por 21%. “É um processo que traz comodidade ao consumidor, já que grande parte das etapas podem ser realizadas pela tela do computador ou pelo toque do celular, com rapidez, segurança e a qualquer hora”, explica o executivo.

Mas nem tudo são rosas com as novas tecnologias: 28% dos entrevistados que usaram as plataformas online consideram a falta de flexibilidade para fazer as contrapropostas como a principal barreira do mecanismo. Há ainda outros 27% que reclamam que nem todas as empresas possuem esse tipo de serviços e 25% que mencionam a falta de um profissional para esclarecer dúvidas na negociação como taxas e juros.

Ajustes no orçamento

Entre os entrevistados apenas 10% não recorreram a adequações no orçamento para conseguir colocar as contas em dia e limpar o nome. Os cortes mais citados em despesas foram: 40% atividades de lazer; 39% compras de roupas e calçados; 33% alimentação fora de casa; 29% serviços de beleza.

Consequências

A grande maioria dos inadimplentes ou dos que já conseguiram sair dessa condição, 73%, disse ter sofrido alguma consequência pela negativação do CPF. Entre as mais comuns apareceram não conseguir contratar um novo cartão de crédito ou abrir um novo crediário, 32%; deixar de realizar compras a prazo, 28%; enfrentar dificuldades para abrir conta em banco ou utilizar seus serviços, 18%. Há, ainda, 13% que não conseguiram financiar um automóvel.

 

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